• Victor Augusto

O Eterno Verão de Mahmundi


Marcella Vale (a Mahmundi) vive num eterno verão. Um verão melancolíco e languído, mas ainda verão. Quem conhece os dois primeiros trabalhos da talentosa carioca - o ótimo Efeito das Cores, de 2012 e o nem tão bom assim Sentimento, de 2013, ambos lançados de maneira independente - conhece o universo que a cantora/produtora habita: algo entre Ivan Lins/Guilherme Arantes (pianos, sintetizadores e letras boas e fáceis) e Tom Jobim (uma tristeza e melancolia tipicamente carioca).

Conheci o som da Mahmundi em 2012, no Trabalho Sujo, do Alexandre Matias. Uma nova leva de artistas cariocas estava bem em voga (Dorgas, Opala, Alice Caymmi) na época, mais o som da Marcella foi que mais chamou minha atenção. O single “Calor do Amor” fez um certo sucesso e ganhou até um prêmio do Multishow, em 2013. Mas, essa exposição toda parece ter feito mal a Marcella. Seu segundo EP, “Sentimento” (2013, independente) foi meio… decepcionante. Muitos clichês e letras fracas, quase caindo na mesmice da chamada “nova” (que não tem nada de nova) MPB. Mas nunca duvidei da Mahmundi e seu novo single “Eterno Verão” mostra seu amadurecimento como artista nesses 3 anos.

Eterno Verão é o primeiro lançamento "profissional" da carioca, distribuído pelo selo SteroMono, controlado pelo veterano produtor Miranda e bancado pela Skol Música. A Skol Música foi responsável por dois lançamentos importantes da música brasileira desse semestre: o aclamado álbum dos Boogarins (Manual) e o do “Grimes do Pará” Jaloo (#1) , se consolidando no mercado musical brasileiro como uma boa alternativa as gravadoras tradicionais. Eterno Verão não é melhor do que Calor do amor (se nunca ouviu, vai correndo escutar), mas é uma boa introdução pra obra da cantora. De acordo com Marcella, seu álbum de estréia será lançando no próximo ano. Estamos esperando.

O clipe “dá vontade de descer a serra de carro e ir pra praia” como disse minha namorada (moro em SP). É muito fácil se perder nas canções da Mahmundi.


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