as manas, as minas, as monas

O projeto manas minas e monas, para além de reconhecer a especial vulnerabilidade e acrescida discriminação e violência a que as mulheres estão sujeitas, visa promover a valoração de suas identidades, histórias e trajetórias com enfoque sobre a identidade de gênero feminina vivida por mulheres trans e travestis do município de Jundiaí.

 

Através da retratação e da representatividade, o projeto irá trazer à cena memórias pessoais e relações culturais, problematizando questões sociais e políticas relacionadas à comunidade feminina LGBT ou não, possibilitando a reflexão crítica sobre tais questões e buscando promover ações que impactem positivamente no olhar da sociedade para com as mulheres. Apresentando visuais sem estereótipos, contrapondo a imagem da mulher LGBT veiculada nos meios de comunicação de massa (televisão, revistas e midias eletrônicas) através de retratos pintados com acrílica sob lona, em tamanho natural 1,70m x 0,70m as imagens trazem a referência de uma liguagem pop e contemporânea dentro da pintura, a mistura de referencias e símbolos brasileiros e latinos, imagens que abusam do colorido e que de uma forma irreverente, levanta o questionamento sobre a representatividade da figura feminina.

 

Criado a partir da necessidade de ser mantenedor e difusor da integridade e da cultura de respeito e tolerância para com a comunidade feminina na região de Jundiaí, o projeto tem como missão promover a discussão sobre conceitos como Gênero, Patriarcado, Exclusão Social, Identidade, Diferença e Diversidade. As ações propostas auxiliam no combate aos estereótipos e preconceitos existentes nas relações estabelecidas entre a maioria da população para com as mulheres. 

 

A exposição da artista Emília Santos acontece na Pinacoteca de Jundiaí, durante todo o mês de outubro, de segunda a sexta das 10h às 17h, e sábados das 9h às 13h.

Emília Santos
Emília Santos

Meu corpo. Minhas regras.

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Karen
Karen

Acrílica sobre lona

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Danyela Castro
Danyela Castro

Acrílico sobre tela

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Thabata de Oliveira Siqueira
Thabata de Oliveira Siqueira

Acrílico sobre tela

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Karol Della Lastra
Karol Della Lastra

Acrílico sobre tela

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Lorrayne
Lorrayne

Acrílico sobre tela

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Tallia Spnnelly Ostentação
Tallia Spnnelly Ostentação

Acrílico sobre tela

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Joana
Joana

Acrílico sobre tela

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Trecho da Exposição
Trecho da Exposição
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Trecho da exposição
Trecho da exposição
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Trecho da exposição
Trecho da exposição
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Trecho da exposição
Trecho da exposição
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Como não poderia deixar de ser, a exposição que ficou durante uma semana na Câmara de Jundiaí não agradou os setores conservadores da dileta sociedade jundiaiense. O CHIC Pop conversou com a artista, que nos contou o babado todo. 

 

CHIC Pop: Como surgiu a ideia da exposição?

 

A exposição as manas, as minas e as monas fez parte da Semana da Diversidade no município de Jundiaí, com o objetivo de valorizar a imagem da mulher trans, das travestis e de algumas drags que compõem a exposição. A ideia para os quadros surgiu a partir da necessidade de dar uma resposta para esta onda crescente de conservadores que no caso do município de Jundiaí estão se sentindo no direito de violar leis e agredir a população LGBT do município.

 

CHIC Pop: Você considera que a militância LGBT de Jundiaí têm conseguido avançar em suas pautas?

 

Nestes últimos meses a militância LGBT da cidade teve muitas conquistas: conseguimos que a parada LGBT fosse incluída no calendário oficial do município, conseguimos criar um conselho municipal LGBT, e conseguimos que no dia da votação do PME a comunidade LGBT da cidade estivesse em peso na câmara. Isso causou um transtorno geral na ala conservadora da cidade. Tipo assim: você até podem existir, mas no gueto... não venham ocupar nossos espaços.

 

CHIC Pop: E como foi a recepção da exposição na Câmara? Imagina que essa ala conservadora não tenha ficado muito feliz...

 

Foi um babado! No dia 21 de setembro a exposição entrou na câmara municipal logo cedo. Lá existe um grande fluxo de pessoas, pois no prédio funcionam, além dos escritórios dos vereadores, o Procon.

 

No dia 24 eu acordei com os “representantes” desta ala conservadora buzinado no meu ouvido e agredindo as modelas da exposição. Eu sofri uma ofensa muito específica, fui chamada de feminazi, mas as meninas que posaram pro projeto... Elas tiveram negada sua existência, a sanidade, a opção, a identidade, enfim... foi uma atrocidade o que fizeram com as minhas amigas!

 

Um discurso que foi muito usado pelas pessoas que estavam contra a permanência da exposição no espaço da câmara, era que “aquilo” era inapropriado para o espaço. Que ali que é a “casa do povo”, e que não deveriam permitir tamanha atrocidade, pois elas não são mulheres, e sim, travecos, e que atentam contra o pudor e a moral.

 

CHIC Pop: Quer dizer, pura barbárie e recalque...

 

Isso! Um dos trabalhos que foi mais atacado é o retrato da Joana Lima. Ela está em uma banheira e aparecem os seios dela. PONTO. Isso foi suficiente para dizerem que queremos enfiar goela abaixo das crianças jundiaienses a “ideologia de gênero”. Que queremos transformar todxs em transexuais, que não existe cromossomo trans. Disseram também que esse lixo não é arte, nem as modelos são mulheres.  Nos chamaram de imoral, apelativos, promíscuos, que nos fazemos de vítimas, falaram que somos tipo filme de terror classe B (ahahaah) e que, sim, Jesus pregava o amor... mas quando foi necessário ele usou o chicote! Sinceramente eu não sei como lidar com essa ultima frase...

 

Enfim... a exposição saiu de lá conforme a programação e entrou dia 02 na pinacoteca, onde vai ficar por 30 dias.

 

CHIC Pop: E você tem algum recado pra mandar pra essa galera da bíblia com pistola?

 

Pra esse bando de recalcado vou parafrasear minhas migue DZI CROQUETTES: “Eu não tenho culpa de ser chique assim”. Beijas!

 

Babado na Câmara