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  • Coletivo CHIC Pop

Alguns dos grandes lançamentos nacionais de 2017 (Prêmio CHIC Pop da música brasileira)


Antes de passar para lista propriamente dita, algumas breves considerações a partir de algumas constantes observadas no contexto musical de 2017. Porque a gente é desses.

Diferente de outros sites especializados em “crítica musical”, que elegem uns 500 melhores álbuns do ano - que no ano seguinte ninguém lembra mais - tentando vender a ideia de que a música brasileira vive o melhor momento de todos os tempos - aqui no CHIC Pop nós sofremos muito pra conseguir selecionar dez discos, que na verdade terminaram por ser apenas nove, pois outros dois prováveis candidatos não estavam no mesmo nível de acabamento dos demais, apesar de serem muito bons.

No geral, o modo de funcionamento da crítica musical na era das redes sociais tem mudado, assumindo cada vez mais funções parecidas com o Google e o Facebook, que obtém seu lucro ao se consolidar enquanto espaço de centralização de toda e qualquer informação. O público só chega a saber da existência de determinado artista a partir da seleção prévia feita por esses sites e blogs de crítica musical. É uma função fundamental e praticamente inevitável em um meio onde é absolutamente impossível ter acesso a tudo o que é produzido. Contudo, o preço a se pagar é a completa transformação da crítica em marketing, que progressivamente ocupa o lugar da reflexão mais detida. E nesse ponto somos ainda bem conservadores: é muito difícil, pra não dizer impossível, existir 100 discos com um padrão de qualidade elevado produzidos em um mesmo ano. A não ser em anos excepcionais. E basta ouvir os discos relacionados por tals sites para ter a confirmação disso.

No caso do CHIC Pop, reconhecemos que muitos bons discos foram lançados em 2017, o que de forma alguma significa que "vivemos o melhor momento na história da música popular brasileira", como é possível ler em diversos sites que mal escondem a finalidade de auto-propaganda. A rigor, a música brasileira nunca deixou de produzir bons momentos, assim como nunca deixamos de produzir grandes craques de futebol, sendo pois, bem exagerada tal afirmação, caso ela diga respeito ao surgimento de obras de qualidade. O fato é que ao fazer uma afirmação categórica desse tipo, tais sites estão invariavelmente dizendo outra coisa: a de que as transformações no modelo de produção e distribuição musical alimentaram uma dinâmica radicalmente nova no campo da música popular, diretamente ligado ao fim do império das grandes gravadoras. E isso é geralmente encarado a partir de seus traços positivos: ampliação dos padrões de gosto, facilidade de produção que permite a qualquer um gravar seu som, facilidade do acesso, etc. Contudo, a contrapartida dialética perversa é pouco ou nada refletida, justamente por se tratar mais de crítica do que de marketing: precarização geral do sistema musical; monopólio ainda maior de um só gênero (sertanejo, responsável por 92 das 100 músicas mais tocadas em 2017) como oposto complementar da pluralidade pós-moderna; perda de referências valorativas mínimas que tornavam possível o estabelecimento de critérios de distinção que, no entanto, seguem ditando normas; subserviência alegre e feliz aos valores de mercado, etc.

Dessa forma, para a crítica especializada, aparentemente 2017 pode ser considerado um ano tão bom para a música quando qualquer outro, como 1965, 1971 e 1994. Ora, se produzir boas músicas é uma constante no país, certamente produzir obras revolucionárias ou obras primas (se é que esse conceito ainda faz sentido), daquelas que captam o espírito de sua época, não é. Da mesma maneira, existem muitos bons artistas, mas aqueles realmente extraordinários, com aquele algo a mais, são ainda poucos, como em qualquer época, ainda que existam (Siba é um gênio e Cidadão Instigado uma das bandas mais instigantes da história). Nesse sentido, 2017 não se aproxima sequer de 2015, ano que tivemos um dos melhores e mais importantes discos das últimas décadas “A mulher do fim do mundo”, de Elza Soares. Portanto, afirmações genéricas do tipo “a música brasileira tem melhorado a cada ano” soam tão vazias e marqueteiras quando seu oposto complementar “nada de bom acontece na música brasileira atualmente”. Duas formas complementares de desconhecimento.

De todo modo, eis a seleção CHIC Pop de melhores álbuns nacionais de 2017. A relação internacional fica por conta do Breno, que não sabia disso até agora, e provavelmente deve sair até, digamos, 2025, quando ninguém se importar mais.

1. Dom L. - Roteiro para Aïnouz vol. 3 (Ceará – hip hop)

Pode-se dizer sem exageros que alguns dos melhores lançamentos de 2017 são de rap, ou de artistas ligados ao estilo, como o disco de samba do Criollo. Além dos dois álbuns aqui citados, temos bons trabalhos de Ogi, Coruja, Djonga, Rincón Sapiência, entre outros. Talvez o aspecto mais importante para o rap nos últimos anos seja a consolidação de um fenômeno cada vez mais intenso de ampliação de fronteiras, em diversos sentidos: sonoridade, gênero, temática, etc. Uma mudança fundamental nesse sentido é de ordem geográfica, abrindo espaços para além da hegemonia do eixo sudeste. Não é mero acaso que os dois primeiros lugares dessa lista pertençam a rappers nordestino, pois a mudança de ares tem feito bem ao estilo.

Dom L. é um cearense radicado em São Paulo, e seu disco é repleto de referências a seu Estado de origem (“Vamo dar um calote em um hotel de luxo como Belchior \ Mandar se fuder o mundo como Belchior”), além de participações de nomes como o cearense Catatau e o pernambucano Diomédes Chinaski, entre outros. As letras são interessantes, repletas de recados bem diretos ao rappers e “MPBoys” modinhas de Sampa, e construções poéticas complexas, como em “Cocaína”, construída sob rimas em proparoxítona (a lá Chico Buarque), o que seria um mero detalhe se não fosse uma das melhores canções do disco, com a guitarra de Catatau quebrando tudo. Mas o grande destaque do disco fica por conta de suas bases, complexas, ricas e altamente elaboradas, lembrando por vezes a força da sonoridade de um Kendrick Lamar. A alguns pode desagradar o estilo mais melódico, próximo ao soul, mas mesmo assim é difícil ficar indiferente a canções como “Eu não te amo” e “Cocaína”. Disco sui generis, a começar pelo título (em homenagem ao cineasta de O Céu de Sueli, que também tem um nome inusitado), está entre os mais importantes de 2017.

Prêmio: melhor disco conceitual

Destaque: Cocaína

Riscos: a poesia elaborada e densa de Dom L. nesse trabalho não perde de vista o papo reto, elemento de força do hip hop. Mas é sempre um risco nesse modelo de mais "sofisticado" de rap, que pode se tornar meramente cool.

2. Baco Exu do Blues – Esù (Bahia – hip hop)

O baiano Baco já era um personagem importante no cenário do rap antes mesmo de seu primeiro disco, justamente por sua centralidade no movimento crescente de visibilidade do hip hop nordestino. Isso porque a canção “Sulicidio”, composta em parceria com o MC pernambucano Diomédes Chinaski, caiu como uma bomba no mundo do rap, atingindo milhões de visualizações, gerando diversas respostas (diss) e abrindo caminho para diversos novos nomes do rap nordestino. Sulicídio manda um recado direto para diversos rappers paulistas como Nog, do Costa Gold, Doncesão, Haikais e Nocivo Shommon (“Sem amor pelos rappers do Rio \ Nem paixão por vocês de São Paulo \ Vou matar todos a sangue frio \ E eu tenho caixão pra caralho”), tratados como “Favela Goumert”. Por isso tudo, o álbum de Baco Exu do Blues era muito aguardado tanto por fãs quanto por haters, e pode-se dizer que o resultado não decepcionou (aos fãs, obviamente). Muita gente inclusive tem saldado o disco como um dos melhores trabalhos de rap dos últimos tempos. Exageros a parte, é um disco excelente, mesclando momentos agressivos a outros melancólicos, carregados por certo tom de crise existencial que atravessa todo o álbum. A sonoridade mescla elementos do trap com referências à música brasileira, em particular a nordestina, mas não de modo ostensivo como Criollo ou o Galanga Livre, de Rincón Sapiência. E ao contrário do que poderia se imaginar por Sulicídio, as canções de maior destaque são aquelas de conteúdo mais lírico, como “Em tu mira”, ou a violentamente lírica “Te amo disgraça”, mostrando a versatilidade do rapper.

Prêmio: melhor chacoalhada na pasmaceira

Destaque: Te amo disgraça

Risco: Baco pode não conseguir bancar a própria posição de destaque que assumiu involuntariamente no cenário do rap nacional. “Sulicídio” sem dúvidas abriu caminhos importantes mas, em termos individuais, pode ser que queime outros, fazendo dele persona non grata em alguns meios influentes. Nesse disco tais dilemas foram incorporados esteticamente no tom melancólico do conjunto, mas as consequências práticas podem ser perigosas para o artista. Afinal, quão provinciano é ainda o cenário do rap nacional?

3. Kiko Dinucci - Cortes Curtos (São Paulo – rock)

Kiko Dinucci atualmente é um dos guitarristas mais interessantes do Brasil. Dono de um estilo próprio altamente criativo e conscientemente elaborado, procura recuperar uma tradição polifônica da música brasileira que teria sido interrompida com a bossa nova, por meio da elaboração de uma linguagem mais modal, quase cacofônica. Além de participar ativamente em alguns dos trabalhos mais interessantes dos últimos anos (como o fenomenal disco de Elza Soares, ou nos projetos com Metá Metá e Passo Torto), Kiko é também um excelente compositor, o que fica bem claro agora em seu primeiro álbum solo. “Cortes Curtos” é uma boa síntese dos múltiplos caminhos trilhados pelo compositor, além de oferecer um painel sucinto do que há de melhor na cena musical paulistana. Apesar da brevidade e concisão, é possível reconhecer diversos elementos dessa tradição musical, tais como Arrigo Barnabé e a vanguarda paulistana, Tom Zé, a cena punk dos anos 1980 e a tradição torta do samba paulista. O próprio disco é construído como uma espécie de passeio anti-sentimental por ruas e personagens da capital paulistana. Um trabalho potente do início ao fim.

Prêmio: maior porrada do ano

Destaque: 1 hora da manhã

Riscos: o disco funciona como um respiro punk autoral que amplia o universo bem rico e seguro de Kiko Dinucci, não apresentando nenhum tipo de risco mais evidente.

4. Criolo - Espiral de Ilusão (São Paulo – samba)

Desde o sucesso de “Nó na Orelha” que Criolo vem demonstrando que seu interesse pela linguagem musical não se limita ao rap. Por isso, não é de se espantar que com "Espiral de Ilusão" o artista tenha se voltado para o samba, outra de suas influências declaradas, já presente nos trabalhos anteriores. O que talvez cause espanto em alguns desavisados é o fato do disco ser muito bom. Não por conta de qualquer tipo de limitação do artista, que já deu diversas mostras de que é excelente (quantos conseguem compor um álbum considerado o melhor do rap e, ao mesmo tempo, o melhor da MPB?), mas porque o samba é um gênero nada fácil. Explico: um bom disco de samba exige um conhecimento profundo não só de sua linguagem, mas de um conjunto de relações extra-musicais, que demanda envolvimento real com certa comunidade. É fácil gravar disco de samba, com belas melodias, tanto que qualquer nome da MPB quando está em baixa grava um disco de samba pra se segurar (da mesma forma que roqueiros em baixa gravam regravam Roberto Carlos ou compõem no mesmo estilo). Mas é também muito fácil reconhecer a falta de intimidade com o assunto. Criolo não só demonstra domínio da linguagem (além de realizar um excelente trabalho de pesquisa, mostrando a grande variedade do estilo – pagode, partido, jongo, samba de breque) como imprime identidade própria ao disco (é possível reconhecer as principais linhas temáticas presentes também em outros trabalhos), sem parecer um universitário de classe média deslumbrado com o samba, ou um desses artistas que querem se aproveitar da popularidade de outro estilo (os inúmeros "casadinhos" entre forró, sertanejo e funk). O disco não é integralmente homogêneo, apresentando canções que funcionam melhor do que outras, mas é, de fato, um bom álbum de samba, e não de um rapper que flerta com o estilo.

Prêmio: melhor disco de samba de não sambista

Destaque: Nas águas

Risco: até "Convoque Seu Buda" o risco parecia ser o de uma diluição do potencial estético de Criolo em uma MPB mais clean que fizesse perder a pegada periférica. Mas “Espiral de Ilusão” demonstra um artista bem seguro de seus caminhos e opções.

5. Letrux – Em noite de climão (Rio de Janeiro (?) – pop oitentista)

Letrux, personagem criada por Letícia Novaes (ex-integrante da banda Letuce), é a mestre de cerimônias que conduz o ouvinte por uma divertida e melancólica noite de balada cheia de conquistas, expectativas, putarias, roubadas e frustrações. A ambientação do disco é a mais oitentista possível, criando um clima bem característico, que casa perfeitamente bem com a temática proposta: uma personagem de sexualidade livre, curtindo baladas não muito boas, mas também não de todo ruim, regada por uma sonoridade de uma época que também pode ser definida como não muito boa, nem completamente ruim (se comparado com os anos setenta e noventa). O disco é tão anos 80 que a única convidada pra balada é Marina Lima, que ocupa um lugar no imaginário perfeitamente adequada a proposta de Letrux - Em noite de climão. Ainda que conceitual e melancólico, o disco está longe de ser pretensioso: tudo ali é apresentado de forma bastante livre, encarando o lado ridículo de situações tragicômicas (do tipo: o que fazer com a tatuagem do nome do namorado quando o relacionamento termina, e você é pobre demais para pagar um laser). A sucessão de acertos, a começar pelo tom e perspectiva geral fizeram a banda se tornar a queridinha da vez.

Prêmio: álbum mais divertido

Destaque: Que estrago

Riscos: banda hype e cool, Letrux traz muitos elementos que apontam para um fenômeno passageiro, voltado para responder as demandas de certo público classe média descolado que adora teatralização, tecladinhos anos 80, letras divertidas e levemente progressistas, nostalgia de um passado imaginário e uma banda jovem hype que não viveu a época que idealiza. Por outro lado, Letícia Novaes, a alma do projeto, já tem um bom tempo de estrada e uma linguagem própria bem desenvolvida, que pode se consolidar cada vez mais.

6. Corte – Corte (São Paulo - ?)

O projeto Corte é fruto do encontro de Alzira Espíndola com alguns músicos do grupo Bixiga 70. A proposta do disco, contudo, é mais próxima de outra vertente da recente canção paulistana: as distorções de grupo como Metá Metá, Kiko Dinucci e Rômulo Fróes, de difícil classificação e inegável força estética (basta dizer que essa nova sonoridade paulistana é responsável direta por um dos melhores discos das últimas décadas: “A mulher do fim do mundo”, de Elza Soares). E por falar em dificuldade de classificação, a impossibilidade de estabelecer certezas - ao mesmo tempo fonte de angústia, niilismo, solidão e possibilidade de novos dizeres - é a temática privilegiada pelo disco em seu conjunto. Afinal, “o que move a gente é o que move a gente”. A única certeza é a de que “eu não existo” e “nada nos pertence”. “Cheguei \ e a chegada nem é lugar”.

Musicalmente, o ponto forte do trabalho é a opção dos arranjos em privilegiar completamente a voz de Alzira E., destacando melodia e letra e buscando complementar o sentido mais geral transmitidos por essas. Os arranjos são de grande destaque, com elementos de jazz, rock entre outros, mas a centralidade do canto de Alzira é sempre reforçada. A opção pela gravação ao vivo, em formato banda, foi muito acertada, pois confere um clima agressivo e cru que fortalece os sentidos das canções. Sem dúvidas, a química do grupo deu bastante certo.

Prêmio: melhor surpresa

Destaque: Nada disso

Riscos: "Corte" tem toda cara de projeto paralelo que, como sempre, tende a ter vida breve caso não se torne o interesse principal de seus participantes. A chance da banda não durar é grande, a menos que dê muito certo. Tomara que sim.

7. Negro Léo - Action Lekking (São Paulo\Rio de Janeiro – experimental\garagem\?)

O maranhense Negro Léo é um dos cancionistas mais interessantes da novíssima geração - se é que existe uma - responsável por uma produção absolutamente singular e de impossível classificação. Por mais que seja um clichê que diz pouco, cabe aqui dizer que suas canções estão sempre no limite, entre poesia e prosa, canção e ruído, ritmo e dissolução, de forma ainda mais radical do que os ruídos mobilizados pela galera de São Paulo já citada aqui, mais próximo do campo experimental (próprio do selo Quintavant) do que do rock de garagem. Ao invés da canção expandida, que marca boa parte da produção contemporânea, Negro Léo oferece aos ouvintes a canção dissolvida. Desde “Água Batizada” (2016), contudo, os arranjos de suas canções vem se tornando por assim dizer menos ruidosos, menos descontínuos. Sem migrar para o pop, perdendo assim seu radicalismo e identidade, as canções se tornam menos carregadas nos ruídos e manipulações eletrônicas. As diversas temporalidades se tornam menos sobrepostas e mais orgânicas. Se “Água Batizada” se aproxima do clima da neo-psiodelia contemporânea (Tame Impala, Boogarins), “Action Lekking” soa mais como um power trio de garagem dos anos 1970, trocando a guitarra pelo violão, como se tivesse saído diretamente de gravações perdidas dos primeiros trabalhos de “Jards Macalé”.

Prêmio: som mais criativo

Destaque: O pato vai ao Bricks

Riscos: são grandes as dificuldades de se manter na ativa fazendo esse tipo de som, de circulação necessariamente restrita. Mas de todo modo, até aqui Negro Léo tem tido sucesso em manter-se fiel a seus princípios. Resta saber se irá conseguir ampliar seu público, como parece ser seu desejo.

8. Sepultura - Machine Mesiah (Minas Gerais – trash\death metal)

Diversos artistas da velha guarda lançaram disco esse ano. Hermeto Pascoal, Guilherme Arantes, João Bosco, Paralamas do Sucesso, Paulo Miklos, Pato Fu, entre outros. Em grade parte desses trabalhos, a sensação é a de que seu tempo não é mais o de hoje, ficando patente a dificuldade de se comunicar com o tempo presente. Por vezes, essa distância torna-se bastante produtiva: Chico Buarque é mestre em fazer da própria obra uma reflexão profunda sobre esse deslocamento. Por razões diversas, isso não acontece com o novo trabalho do Sepultura. Talvez seja pelo gênero de metal extremo, que para funcionar exige o apego a um conjunto de padrões e clichês sonoros. Talvez seja pela capacidade do Sepultura de se reinventar dentro desses limites estritos (Derick Green arrisca até um vocal mais melódico na faixa de abertura). Ou ainda, pela incrível capacidade criativa (especialmente) e técnica de seus integrantes (o novo baterista Eloy Casagrande provavelmente é de marte). De todo modo, o trabalho mais recente do grupo é uma porrada muito bem dada em nossos ouvidos, e um sinal de que o Sepultura segue sendo um dos maiores grupos de rock já surgidos no Brasil.

Prêmio: tiozões que ainda dão caldo

Destaque: I am the enemy

Riscos: o risco de envelhecimento, tornando-se cada vez mais um caricatura de si mesmo, foi temporariamente afastado com a entrada de Eloy Casagrande, dando um sopro de vitalidade ao grupo. O rock agradece.

9. Apanhador Só - Meio que tudo é um (Porto Alegre – indie)

Enquanto durou, foi notável a evolução na sonoridade da banda Apanhador Só. De um álbum de estreia muito calcado em uma sonoridade pós-hermanos, responsável pelo grande sucesso do público junto a um público jovem, mas com pouquíssimos atrativos, o grupo foi evoluindo em todos os aspectos. As letras melhoraram muito, criando sentidos mais complexos por meio de construções mais abstratas e um bem vindo uso da ironia. Musicalmente, o grupo passou a apostar cada vez mais no experimentalismo de texturas e sonoridades (já fortemente presente em “Antes que tu conte outra”, de 2013), mesclando sonoridades mais pop com propostas alternativas. “Meio que tudo é um” representa o ápice desse processo, em dos melhores discos do ano. Em 2017 o guitarrista da banda foi acusado de assédio e abuso por sua ex-companheira, e diante da forte pressão por parte das mulheres, o grupo encerrou suas atividades.

Prêmio: melhor mistureba sonora

Destaque: o creme o e crime

Riscos: um dos integrantes da banda fazer merdas de macho e foder o rolê todo.

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