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  • Rafael Farinaccio

Até a próxima, Lemmy!


Quando eu tinha em torno de 11, 12 anos, eu comecei a ouvir heavy metal. Conhecia só Metallica e Sepultura até então e o acesso à música era meio limitado, não tinha a internet onde a gente pode ouvir o que quiser na hora que quiser. Foi nessa época que eu ganhei do Ricardo o CD "Nö Sleep At All", do Motörhead, e foi amor à primeira vista.

Os anos foram se passando e eu fui ouvindo coisas cada vez mais pesada, às vezes até largando mão de algumas bandas que eu ouvia anteriormente e que não me interessavam mais. Mas o Motörhead ficou. E sempre foi muito mais do que apenas música. Todas as histórias e lendas que giravam em torno do imortal Lemmy Kilmister me fascinaram desde o começo e nunca deixaram de me animar e inspirar. Depois de mais velho, quando eu passei a ouvir todo o tipo de música boa, o bom e velho Motörhead continuou meu eterno companheiro.

Eu tive o prazer de ver o Motörhead ao vivo nada menos que cinco vezes na vida. E todas foram incríveis! Só não vi seis porque o grandioso Lemmy não se sentiu bem no último Monsters of Rock, já com a saúde bem abalada, e foi substituído pelos membros do Sepultura, declaradamente minha banda favorita e que tirou seu nome da música "Dancing on your Grave", do mesmo Motörhead. Foi um momento histórico, mas ao mesmo tempo triste. Perdi a chance de ver pela última vez o Lemmy, mas vi uma parceria dos sonhos tocando "Ace of Spades", "Orgasmatron" e "Overkill".

Lemmy era eterno. Existiu desde antes do rock'n'roll e acabou mudando-o para sempre. Ele estava lá quando os Beatles ainda não eram os Beatles, no Cavern Club. Foi roadie de Jimi Hendrix e teve uma porrada de bandas até montar "a melhor pior banda do mundo" e revolucionar completamente o rock'n'roll e o heavy metal, pegando o bastão do Black Sabbath e levando para um geração inteira de músicos do fim dos anos 70 pra frente.

No fim das contas, até Deus morre um dia. Mas se existe na Terra alguém por quem não se deve lamentar a morte, é o Lemmy, que viveu 700 anos em 70. Junta-se agora a Dimebag Darrell, Dio, Chuck Schuldiner, seu ex-parceiro de banda Phil "Philthy Animal" Taylor, seus ídolos John Lennon, Jimi Hendrix e muitos outros que compartilharam de sua companhia ou de sua inspiração. Hoje, no Além, deve estar chovendo Jack Daniels!

Até a próxima, Lemmy!

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Rafael Farinaccio é redator, tradutor nas horas vagas e palmeirense doente. Tem o coração dividido entre as obras de Tolkien e a música, principalmente o heavy metal. Aprecia um Danone gelado, mas sempre respeitando o DECRETO.


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