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  • Acauam Oliveira e Breno Longhi

20 Discos que Fizeram a Cabeça do CHIC Pop em 2015


O ano ainda não acabou, mas tudo que acontece entre a preparação para as festas de fim de ano e o carnaval é uma nuvem nebulosa que simplesmente não entra na nossa conta! Por isso, a gente se adiantou um pouco e preparou uma lista com os discos que fizeram a nossa cabeça este ano. Aqueles que não saíram de nossso fonógrafos, ou que foram muito cantarolados ao longo do ano. E o melhor de tudo é que você pode clicar nas capinhas e ouvir os álbuns completos, porque a gente é organizado e super gente boa <3

Aproveitem a sessão de comentários e contem pra gente quais foram os discos que fizeram a sua cabeça em 2015! \o/

Acauam Oliveira

Clique nas capas para ouvir o disco completo <3

Juçara Marçal - Encarnado (2014)

Pra mim e um bando de gente boa, o melhor disco lançado em 2014, consolidando definitivamente Juçara Marçal como uma das maiores cantoras contemporâneas. Síntese poderosa do modelo de "anti-canção" que a galera de Sampa está fazendo, o disco traz para o centro da composição ruídos e outros elementos "marginais", criando uma textura sonora perturbadora. Faz parte desse conflito polifônico de elementos a voz de Juçara Marçal, encantadeira-mor que entretece as possibilidades narrativas da canção, encarnando a própria possibilidade da beleza brotar do caos, transfigurando-se em arte. Pois é diante do caos, bem como da morte - tema do disco - que contempla-se o mistérios e encantos da vida, esse ato de resistência perpétua.

Destaque: Ciranda do aborto

Siba - Avante (2012)

Avante representa outra guinada supreendente na carreira de Siba, depois do mergulho em profundidade pela cultura popular da Zona da Mata pernambucana, testando sua estética em um formato mais pop. Ou quase, pois uma banda cuja formação é guitarra, bateria, tuba e vibrafone não é propriamente convencional. Pode-se dizer, inclusive, que essa é uma das tônicas de seu trabalho: por meio de um senso poético de qualidade excepcional, Siba movimenta-se pelos mais diversos estilos e gêneros, encontrando em cada um deles sua expressão pessoal mais profunda. Talento raro concedido a poucos artistas, como Dorival Caymmi ou Nelson Cavaquinho: neles, a tradição comunitária cola-se a tal ponto à expressão artística individual que já não é possível distinguir precisamente um do outro, ainda que não se confundam com a grande massa de criadores populares anônimos. Nesses casos, é como se as próprias soluções formais individuais conduzissem os desenvolvimentos históricos um pouco mais à frente.

Destaque: A bagaceira

Cidadão Instigado - Fortaleza (2015)

A primeira vez que ouvi Os urubus só pensam em te comer passei o mês inteiro digerindo, assombrado, aquele conjunto de informações. Nada na música brasileira lembrava aquele som. A primeira vista parecia uma paródia da tosquice suja dos anos 80, mas se os timbres evocavam a precariedade da "geração perdida", o conjunto não tinha nada de paródico. O tosco era usado ali da mesma forma que Tom Zé se utiliza de sucata em suas composições, como forma de expandir seu universo criativo. Desde então considero o Cidadão Instigado um dos mais importantes e criativos grupos de rock do país. Com Fortaleza o grupo retorma a uma pegada mais garagem, talvez para recuperar um pouco do gás do início e não desistir de fazer a música que eles acreditam. Porque não deve ser nada fácil ser um grupo extraordinário e permanecer infinitamente restrito a circuítos "alternativos", tão demarcados quanto o mainstream, com a desvantagem de não garantir o leite das crianças.

Destaque: Dizem que sou louco por você

Raimundo Fagner - Raimundo Fagner (1976)

Cada vez que ouço o Fagner dos anos 70 convenço-me mais de estar diante de uma obra excepcional, um dos grandes momentos da música brasileira. Depois desse período, assim como muitos outros artistas, Fagner optou (ou foi convencido) a trocar a consistência estética de sua obra pelo caráter comercial mais imediato de arranjos fáceis (não, o problema não está no romantismo "brega", pois seu caráter ultra-romântico dilacerado, violentamente atravessado por influências mouras e sertanejas, é responsável pela qualidade de sua obra inicial). Da mesma forma que ocorre com Jorge Ben nos anos 80, alguma coisa se rompe nessa época, impedindo que surgisse outro conjunto de belas canções como Mucuripe, Canteiros, Asa Partida, Sangue e Pudins, Cebola Cortada, Jura Secreta.

Entretanto, esse conjunto inicial foi responsável por alguns dos momentos mais emocionantes da MPB, revelando um artista capaz de propor um projeto autenticamente autoral em um campo predominantemente romântico. Muitos preferem o disco Orós, especilamente pela presença de Hermeto Pascoal nos arranjos, que garante uma maior ousadia. Mas esse disco de 1976 foi um companheiro constante (e sofrido) ao longo de 2015, e traz algumas das melhores composições do bardo cearense.

Destaque: Asa Partida

Totonho e os Cabra - Totonho e os Cabra (2001)

Quando o primeiro disco de Totonho foi lançado, a crítica procurou logo aprisioná-lo em algo mais familiar, classificando-o como Manguebeat, em parte pelas misturas sonoras, em parte porque rótulos são necessários para vender produtos. Mas o fato é que existia algo de muito particular naquele som, fazendo com que a classificação não colasse direito. O que pode inclusive ter tido um efeito negativo na carreira de Totonho em termos comerciais. Pois aquela mistura sem conflitos de influências tão díspares quanto repente e música eletrônica - como se o repente fosse uma música eletrônica a frente do seu tempo - só iria ser naturalizada anos depois no cenário alternativo, o que confere a Totonho e os Cabra uma singularidade absolutamente radical para seu tempo. Se você não conhece o universo particular desse cabra arretado de Monteiro-PB-Cosmos, não perca mais tempo.

Destaque: Tudo pra ser feliz

Rômulo Frós - No chão sem o chão (2009)

Romulo Fróes costuma dizer que esse disco partiu de um gesto de revolta contra o horroroso rótulo de "sambista-indie" com o qual costumavam enquadrar sua obra. Para afastar de vez essa leitura, gravou um álbum duplo em que atira basicamente pra tudo quanto é lado, sempre com aquele olhar distanciado de investigador dos limites da forma canção. Basicamente a questão que o move é descobrir até onde essa forma pode ser confrontada e, ainda assim, manter as funções comunicativas que fazem parte de sua beleza fácil\frágil. Ainda que correr riscos seja um aspecto que alimenta toda sua produção, esse talvez seja o disco em que Rômulo proponha mais questões que respostas. Questões essa que, por conta de seu olhar atento, sintetizam alguns aspectos fundamentais para canção popular hoje, além, é claro, de trazer um punhado de boas canções.

Destaque: Anjo

Stevie Wonder - Songs in the Key of live (1976)

Faz tempo que Stevie Wonder não sai da minha lista de discos mais ouvidos do ano, junto com outros clássicos da black music americana - minha paixão ao lado do samba - como Marvin Gaye, Curtis Mayfield, Al Green, James Brown, Earth, Wind & Fire, Aretha Franklin, etc. Enfim, os caras que me ensinaram melhor do que ninguém que 1) a música de entretenimento pode ser artísticamente elaborada, e mesmo revolucionar a história dos costumes de um povo; 2) que os preto são zica. Ainda que algumas canções não tenham envelhecido tão bem, o disco é um verdadeiro primor, uma interpretação visionária do genial Stevie Wonder para o universo da música pop.

Destaque: As

Beto Guedes - A página do relâmpago elétrico (1977)

Eu que sou fissurado nos dois discos do Clube da Esquina, espécie de ponto de maturação das possibilidades abertas pela MPB pós-tropicalista, demorei pra tomar contado com a obra solo dos seus integrantes, com exceção do Milton e do Som Imaginário. Nesse disco de estréia de Beto Guedes é possível reconhecer muitas das coisas belas que ouvimos no Clube, numa sonoridade menos barroca e mais "pé no chão", ainda que flutuante e evanescente. O rigor formal do barroco mineiro - que exige um domínio técnico absurdo - aliado a beleza angelical das estéticas católicas cujo moralismo conservador tenha sido substituído por uma imagem de um cristo hippie para quem "o medo de amar é o medo de ser livre" é parte do caldeirão de influências que deu nesse que é um dos belos momentos da música brasileira.

Destaque: A página do relâmpago elétrico

Racionais MC's - Cores e Valores (2015)

​O mais importante grupo de rap nacional lançou seu primeiro disco de inéditas após 12 anos de espera. A recepção não foi das melhores, e o público em geral esperneou, provavelmente aguardando algo como um Nada como um dia após outro dia - parte 3, que salvaguardasse o verdadeiro rap roots. Infelizmente para esses "fãs", o grupo que praticamente definiu o significado de rap nacional, criando uma linguagem que antes não existia, tem um conceito de tradição muito mais maleável, que confunde-se com sua própria linguagem e faz a bola rolar sempre pra frente. Mais do que preservar o que quer que seja, o que faz a grandiosidade dos Racionais é o fato deles colarem com seus manos pro que der e vier. E se a periferia, definitivamente, não é a mesma de 12 anos atrás, como é que pode o som permanecer igual? Mais do que gostar ou não, é preciso ENTENDER os Racionais, e aquilo que eles têm a ensinar pra qualquer um, não por serem melhor do que ninguém, mas pelo esforço louvável em se manter junto dos seus, mantendo o proceder. É com relação a esse ponto que o disco precisa ser considerado.

Destaque: Quanto vale o show?

El Efecto - Pedras e Sonhos​ (2012)

Um dos maiores prazeres que o Chic Pop tem me proporcionado é o de poder trocar ideia com um bocado de gente interessante. E foi num desses encontros que tive a oportunidade de conhecer o som dos cariocas do El Efecto. Minha primeira reação ao terminar de escutar Pedras e Sonhos foi: "porra, por onde eu andei que não conhecia essa bagaça?". Mesmo porque os caras são relativamente conhecidos, principalmente depois das manifestações de Junho antes da guinada conservadora, quando passaram a ser associados a elas, entre outras coisas, pela postura engajada - há muito a se falar sobre isso, mas não agora. Além de terem sido indicados na categoria de melhor grupo de rock no 24° Prêmio da Música Brasileira (mas ali, sem chance parceiro, só levou medalhão como o Titãs e o Caetano). O El Efecto é dessas bandas (de rock?) que conciliam o engajamento dos conteúdos com uma consistência formal impressionante, transitando por uma infinidade de estilos a cada música. Estilos que são sempre pensados em relação aos sentidos mais amplo das canções, escapando do ecletismo vazio próprio de certas bandas atuais. A consistência do conjunto realmente impressiona.

Destaque: O encontro de Lampião com Eike Batista

Breno Longhi

Clique nas capas para ouvir o disco completo <3

Linda Perhacs - Parallelograms (1970)

Se pá foi a mudança pro interior, mas este foi um ano de muito folk pra mim. E Parallelograms, da Linda Perhacs, é um dos discos mais bonitos que já ouvi na vida.

As canções são construídas com um cuidado milimétrico, cheias de texturas delicadas, vocais complexos, instrumentais econômicos e precisos e um experimentalismo pouco óbvio - como em Chimacum Rain, que tem ao fundo o som desacelerado de uma Kalimba.

É complicado traçar comparações, mas Parallelograms é uma mistura equilibrada de Joni Mitchell, Nick Drake e toques de Grace Slick.

Destaque: Chimacum Rain

Mose Allison - I've Been Doin' Some Thinking (1968)

Já faz uns anos que o Mose Allison não sai da minha vitrola e posso dizer com segurança que ele é um dos meus compositores prediletos. Mas este ano a companhia dele foi ainda mais constante e fundamental.

Se bobear, o Mose Allison é o compositor mais materialista da história da música pop. E I've Been Doin' Some Thinkin' talvez seja o mais materialista do seus discos. Em um ano de bancadas evangélicas, protestos pró-ditadura e Cunhas da vida, ouvir versos como "I've been doing some thinking about the nature of the universe/ I found out things are getting better, it's just that people are getting worse" foram uma dose fundamental de sanidade e humor.

Destaque: Your Molecular Structure

Oscar Brown Jr. - Sin & Soul (1960)

Sin & Soul é o disco de estreia de Oscar Brown Jr. e é um verdadeiro clássico do jazz vocal por diversas razões. Ele abraçou o cool jazz de um jeito que nenhum vocalista tinha feito até então, escreveu letras para standards que só existiam em versão instrumental e ainda virou uma espécie de herói das causas sociais e do movimento negro norte-americano.

O disco aborda de maneira frontal as vivências dos negros americanos em canções como "Bid 'Em In" - um a capella que reencena um leilão de escravos - e "Afro Blue". Sin & Soul é um álbum performático, gostoso de ouvir e revolucionário, e este ano entrou para minha discoteca obrigatória.

Destaque: Work Song

Neil Young - On The Beach (1974)

Até pra quem é fã de Neil Young, On The Beach é um álbum meio obscuro, que ficou fora de catálogo desde o início dos anos 1980 até 2003, quando finalmente foi remasterizado. Esse foi o primeiro disco lançado depois de Harvest e tem uma pegada um pouco mais crua, com uma sonoridade ao mesmo tempo seca e aveludada, com aquele eco das gravações ao vivo em estúdio que a gente escuta em muitos discos dessa época e que infelizmente se tornou incomum. \o/

No geral, as letras são um pouco mais otimistas que as dos discos anteriores, mas sempre com um pé atrás precavido, como em Vampire Blues: "Good times are comin', I hear it everywhere I go. / Good times are comin', but they sure comin' slow." É um puta disco pra ouvir andando de bicicleta!

Destaque: On The Beach

C'Mon Tigre - C'Mon Tigre (2014)

Eu descobri este disco meio por acaso, quando estava procurando bandas italianas atuais pra tocar no Esquisito Rádio Clube. Assim que vi o clipe da música Federation Tunisienne de Football, uma animação fabulosa feita pelo artista plástico Gianluigi Toccafondo, fiquei impressionado e tive certeza de que seria um dos sons que não iria sair da minha vitrola. E um defeito tecnológico contribuiu ainda mais pra isso. É que depois que a desgraça do iTunes mudou eu não consigo mais trocar as músicas do meu iPhone (aceito ajuda hehehe) e aí esse disco ficou lá, me fazendo companhia em quase todas as viagens entre Viçosa e São Paulo.

No fim das contas, faz muito sentido ouvir o C'Mon Tigre durante essa viagens, já que essa dupla italiana faz uma mistura muito louca entre Mulatu Astatké e Radiohead, entre as guitarras de Agadez e o clima Mediterrâneo, fazendo essa ponte perfeita entre passado, presente e futuro que é uma viagem do interior de Minas até São Paulo.

Destaque: Malta (The Bird and the Bear)

Ibrahim Maalouf & Oxmo Puccino - Au Pays D'Alice (2014)

Uma das coisas mais chatas da história da música pop são as "óperas-rock". Por isso, quando eu descobri Au Pays D'Alice, do rapper franco-malês Oxmo Puccino e do trompetista libanês Ibrahim Maalouf, não tinha muitas esperanças de que o som fosse legal.

Ainda bem! Porque assim a surpresa veio em dobro. O disco é fenomenal!

A ópera-rock-jazz-rap se baseia na história do Lewis Carroll e bebe em fontes musicais dísperes que vão da música erudita contemporânea, ao jazz, passando pelo rock, funk, o lindo rap francês, a chanson e a música árabe.

O melhor é que apesar de misturar sons aparentemente tão díspares, Au Pays D'Alice é uma obra íntegra, conceitual, emocionante e complexa que reconstroi de maneira brilhante a atmosfera onírica e por vezes obscura de Alice no País das Maravilhas.

Destaque: La Porte Bonheur

Republika - Nowe Sytuacje (1983)

Quem ouve o Esquisito Rádio Clube toda semana sabe que eu tenho uma verdadeira fixação com a Polônia. E não é à toa.

A produção fonográfica polonesa ao longo dos anos 60, 70 e 80 esteve intimamente ligada à existência de academias de música que formavam uma quantidade enorme de músicos eruditos e populares de primeira linha.

Essas academias frequentemente recebiam músicos do mundo todo que davam aulas, faziam shows e gravavam discos que ajudaram a formar um dos cenários jazz, fusion e funk mais incríveis e inovadores do mundo.

O rock nunca foi uma forma priorizada pelas gravadoras estatais, mas ainda assim se beneficiou desse clima geral. Por isso, desde o fim dos anos 1960, com bandas como a genial Polanie e compositores de peso como Ceslaw Niemen, o rock and roll polonês mesclou os sons da moda no Ocidente com instrumentais impecáveis e extremamente criativos.

Este é o caso de uma das melhores bandas de Pós-Punk que eu já ouvi, a Republika, com Nowe Sytuacje, um disco pesado, com um groove muito particular e letras que eu adoraria entender, mas que imagino tratarem dos novos rumos da vida e da política do lado de lá da cortina de ferro.

Destaque: Nowe Sytuacje

Elza Soares - A Mulher Do Fim do Mundo (2015)

A Mulher do Fim do Mundo é um puta disco e - por incrível que pareça - é o primeiro álbum só de inéditas da semicentenária carreira da Elza Soares, que está em plena forma, dando mais frescor, vida e um alto grau de imprevisibilidade às composições da turma da nova MPB paulistana (Romulo Fróes, Alice Coutinho, Douglas Germano, Kiko Dinucci, Celso Sim, Rodrigo Campos, etc).

Eu sempre digo que só duas coisas me fazem chorar nesta vida: comédias românticas e cantores da velha guarda. Não sei porque choro com comédias românticas e nem quero tentar me explicar, mas o que os cantores da velha guarda fazem que me emociona é unir a forma e o conteúdo das canções de uma maneira que muita gente não consegue concatenar hoje em dia.

A Mulher do Fim do Mundo é uma união entre alguns dos compositores e músicos da nova geração que buscam justamente reatar a relação entre forma e conteúdo na canção brasileira com uma das expoentes da velha guarda que, em muitos momentos foi acusada de um certo exagero.

O que faz essa parceria funcionar é um elemento pós-tropicalista que não teria sido possível em outro momento da carreira de Elza: a introdução das influências pesadas do rock no samba, que já podiam ser pressentidas nos afro-sambas do Baden Powell, mas que só foram levadas a cabo pelos músicos desta geração.

Destaque: Firmeza?!

Jane Weaver - Silver Globe (2015)

O Krautrock - aquele rock psicodélico feito pelos alemães de bandas como o Can, o Neu!, o Faust, ou o Kraftwerk dos primeiros discos - se baseia na repetição de padrões hipnóticos, em improvisações sintetizadas longas e loucas, e quase sempre muda os rumos de qualquer banda que descubra esse tipo de som. Foi o que aconteceu com a minha banda da adolescência, dizem que aconteceu com o Radiohead e certamente aconteceu com a veterana Jane Weaver, em Silver Globe.

Com as influências do kraut e do eletropop, o sexto álbum da cantora é tão diferente do folk psicodélico que ela costumava fazer que quando foi lançado em 2014 pegou os fãs de surpresa. Por isso, a gravadora resolveu criar uma versão "especial" do disco, incluir novas músicas e relançar o disco em 2015.

Pra mim, é um dos melhores discos do ano pra trabalhar com prazos apertados e dançar sozinho no escuro.

Destaque: Don't Take My Soul

O Terno - O Terno (2014)

Em meio ao cenário pós-tropicalista-urbano da turma de São Paulo, do nosso delicioso afrobeat de segunda-mão (valeu Bixiga 70) e da chatíssima MPB-neo-indie, O Terno é uma banda que se destaca pela despretensão.

As letras são simples, ou até bobas em alguns momentos. Mas essa é uma estratégia intencional que por um lado emula a poética dos cancioneiros brega, jovem-guarda e tropicalista, e por outro responde a uma indagação fundamental feita há anos pelo Tom Zé, que faz uma participação especial no disco: "Todo compositor brasileiro é um complexado. Por que então esta mania danada, esta preocupação de falar tão sério, de parecer tão sério, de ser tão sério, de sorrir tão sério, de chorar tão sério, de brincar tão sério, de amar tão sério?"

É verdade que essa falta de pretensão muitas vezes fez com que eu me sentisse quase culpado por curtir tanto o disco. Mas esse definitivamente é um defeito meu, não das composições do trio paulistano, que acertou em cheio e me mandou ser assim tão sério lá no inferno!

Destaque: Bote ao Contrário

#BrenoLonghi #AcauamOliveira #review

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