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  • Camila Dias

Um chopp, um sundae e um rockeiro dançante


Quando conheci o Rafael Castro não sabia que era músico. Ele estava mais para bailarino sem fronteiras, dançando na pista ao final de um show do Pélico - que, em breve, aparecerá por essa coluna - com uma jaqueta a la Billy Jean.

Quando nos juntamos, duas amigas e eu, aos fumantes na calçada, lá estava Rafa, cheio de opinião e perguntas. Segunda possível carreira alternativa: jornalista. Foi só alguns dias depois, quando recebi o link de um amigo que participara de seu primeiro clipe, "Surdo-mudo", que o reconheci. Ouvi o disco, gostei de algumas músicas, mas deixei para provar o som ao vivo em um show que aconteceria no Puxadinho da Praça dali a alguns dias. Incumbidos de tocar antes do Porcas Borboletas, banda de rock mineira com letras alucinantes, as quais eu e meus amigos cantávamos de olhos fechados, Rafa e sua banda não deixaram a peteca cair! Na segunda música nós já dançávamos tanto quanto viríamos a dançar com o Porcas e, lá pelas tantas, tinha gente pulando sem camisa em um só coro no refrão "um surdo-mudo não incomoda ninguém, é sempre desapercebido."

Oito meses depois, mas em nada prematuro, "Um chopp e um sundae" foi lançado. Eis que vamos ouvir o disco e...o rockeiro virou dance! Era o retorno dos tecladinhos anos 80, esses amados Yamaha que permeiam a formação de qualquer um que esteja ao final dos 20 e começo dos 30 anos. Sintetizadores a mil, a primeira faixa "Ciúmes" traz uma letra irônica que, repetida duas vezes, já nos identifica com o eu-lírico cara de pau.

Em "Gostosa", os samplers encontram as guitarras em uma declaração à mulher que poderia receber críticas dos movimentos feministas mais feverosos, maa que nos shows atinge o ápice com toda platéia repetindo seu título e os gemidinhos complementares. Aliás, o show de "Um chopp e um sundae" é uma experiência: com suas leggings coloridas e sem camisa, Rafa e sua banda conseguem fazer a platéia liberar seus instintos e tudo fica legal, como dizem os versos de "Aquela", retrato de uma geração que separa respeito e tesão; e essa mesma geração, que já dançou repetindo "choc, choc, choc, choc, choc, choc, chocolate" com a Xuxa, pula cantando "chop, chop, chop, chop, até o dia clarear".

Mas prepare-se: em determinado momento os teclados são deixados de lado e a boa e velha guitarra vem pesada na alma e atitude rockeiras de Rafael. Por essas e outras, não vá ao show do Caetano não, vá ao do Rafael Castro: músico, DJ, bailarino sem fronteiras, Frontman com letra maiúscula. E se jogue porque, no palco e na pista, os excessos são permitidos.

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Camila Dias é adepta do movimento "bailarina sem fronteiras" nas pistas de dança e sabe tocar duas músicas de cor na escaleta. É integrante da @bandaliterária e escreve no @jazmim_escritos

#musicapornaomusicos #música #CamilaDias

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